quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Das cenas...

Já repararam que quando acabam as feiras livres, surgem pessoas que pegam os restos dos alimentos que julgam servir á elas?
Em um domingo fui visitar um amigo e sem querer, acabei passando em uma rua, onde estava havendo um desses fins de feira. 
Estava com pressa, mas por alguns instantes meus olhares percorreram aquelas situações e reparei naquelas pessoas... de repente, avistei um menino de uns seis ou sete anos, que estava juntando laranjas em uma caixa. Até então, nada de anormal... eis que, ele se sentou e abriu um largo sorriso!! 
Os pequenos olhos brilhavam, ele observava suas "conquistas"
Foi como cobrisse a caixa das laranjas com uma certa luz... Que luz seria essa?!
A luz da Inocência e da Alegria! O guri, estava vivendo um momento que para muitos, seria algo banal. Todavia, para aquele pequeno ser, era a tal Felicidade, que se apresentava de uma maneira simples, mas prazerosa.
Fui me despedindo da cena e do garoto com um sorriso nos lábios e um certo gosto de laranja adocicada.

sábado, 10 de novembro de 2012

A Indiferença nossa de todos os dias...

Era uma sexta feira, por volta da meia-noite, eu estava num ponto de ônibus tomando uma lata de cerveja, quando se aproximou uma pessoa... um morador de rua.
Já repararam que instintivamente nosso comportamento é nos afastar dessas pessoas? Seja por precaução, aversão etc. É o que acontece...
Minha reação foi algo parecido, mas devido à segurança mesmo.
O cara só queria saber se poderia pegar a lata de cerveja. Imaginei que se ele fosse querer beber, mas já estava no final.
Entreguei a latinha e ali começou nossa conversa...

Anos atrás, tive a oportunidade de participar de um trabalho voluntário, destinado às pessoas que moram na rua. Foi uma grande experiência e me lembro que na primeira noite, agradeci muito por ter uma casa, cama, família, alimentos etc.
Esse trabalho começava por volta das 18 horas do domingo, onde eram preparados os lanches pão com mortadela e achocolatado. Era tudo muito bem organizado, onde haviam os caminhos certos a serem percorridos juntamente com seus grupos e dirigentes.
Fui à muito lugares que jamais pensei em ir, como embaixo de viadutos, ruas escuras... locais de dar medo. O cheiro é algo muito forte... difícil de lidar, mas o propósito é maior, logo se acostuma.
As pessoas que se encontram nessas situações são todo tipo de gente. Crianças, idosos, jovens, homens, mulheres, negros, brancos... Pessoas que já tiveram uma profissão, gente estudada, bonita... Não são só drogados.
Há quem diga que eles estejam ali por que querem... Puxa! Essa afirmação me incomoda um bocado. Sempre quis conversar com um deles, mas só dava para falar do superficial e tínhamos uma programação a seguir, horários e a questão da segurança. Durante todo o tempo que participei, nunca passamos por situação de risco.
Me lembro uma vez que eu era o único homem num grupo de 4 ou 5 pessoas... nesse dia fiquei receoso, mas como sempre, dava tudo certo. Existe uma proteção muito forte. Era um grupo espírita.

Luciano era o nome do homem que catava latinhas aquela hora da noite. Ele tem 31 anos e é analfabeto. Uma pele queimada do sol, cabelos, ensebados, roupas sujas e gastas, o cheiro típico de alguém que vive na rua... não possuía boa parte dos dentes da frente.
Me contou que fez aniversário no Natal e quem avisou da data, foram uns taxistas, pois, ele não sabia ler. Fiquei curioso com a data... então, ele me mostrou o rg... só que ali constava 08/02/1981.
Informei que não era perto do Natal, talvez do Carnaval... ele riu.
Perguntei o porque de ele não ir á um albergue, explicou que há sempre brigas nesses locais.
Falou que queria muito trabalhar, ter uma carteira de trabalho... o quanto gostaria de sair daquela vida etc.
Eu o ouvia atentamente e ficava imaginando quem poderia ajudar aquela pessoa. Quem daria um emprego a ele naquelas condições, com o sorriso totalmente comprometido? Será algo bem difícil...
Por um momento, observei as pessoas que estavam também no ponto... elas me olhavam como se não entendessem qual era o tom da conversa com aquela "pessoa". Isso porque eu conversava com ele, de igual para igual... queria ouvi-lo, queria aproveitar aquela oportunidade... queria mostrar à ele e a mim mesmo que ainda somos humanos apesar dessas diferenças.
Eu realmente o olhava como uma pessoa...
Por fim, meu ônibus chegou e me despedi. Ainda houve tempo dele dizer que ia percorrer uma imensa caminhada catando latinhas (de Moema até Pinheiros).
Desejei sorte, desejei que Deus o amparasse... queria dar um abraço, mas me limitei a dar um tapinha nas costas.
Por fim eu disse para que ele não deixasse de acreditar na vida, no homem e em algo maior.
Assim que me acomodei no assento daquele ônibus... nossa... chorei... não tenho vergonha de relatar isso.
Estava muito envergonhado diante de tudo que tinha ouvido. Me senti pequeno, impotente, egoísta... ingrato! Como eu podia reclamar da vida?
Como nossa indiferença vai cobrindo tudo como se fosse um trator. Deixamos de olhar para o nosso próximo como se fosse gente... olhamos como se fosse um bicho-ruim ou sei lá o que.
Não quero colocar aqui, o que é correto fazer ou falar de uma certa moral. O que eu quero é mostrar que somos capazes de sermos pessoas melhores todos os dias e que não precisa muito... às vezes só uma simples conversa ajuda, não só ao outro, mas a nós mesmos.

Agradeço esse encontro e esse meio de comunicação, onde eu pude compartilhar essa experiência com vocês.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

O que eu estou fazendo aqui?

Acho que todos um dia já fizeram a pergunta que é título dessa postagem, não? Reflitamos...

Estou experimentando outros olhares.
Colocando os olhos em novas possibilidades, em coisas que muitas vezes achamos absurdas e não fazem sentido.
Mas quando se sai dessa "programação" normal... o SENTIR comanda tudo.
E como tudo é novo, o estado de deslumbramento é latente.
Ao mesmo tempo que são coisas "fantásticas", são coisas comuns e de nossa natureza. São como mergulhos no próprio interior, onde é possível descobrir que retroceder é avançar! Que paradoxo, não é mesmo?
Estou tratando da ESSÊNCIA, que nos falta muito nos dias de hoje.
Prestem atenção em suas "programações", releiam seus pensamentos e suas atitudes. Não precisam ir muito longe... está tudo dentro de vocês.
Um exercício muito simples: Sentem-se num ambiente em que estejam sozinhos e confortáveis, fechem os olhos e respirem. Primeiro tentem escutar a respiração, esse processo que é automático  e nos mantém vivos.
Será que estamos respirando corretamente?
Depois disso tentem esvaziar suas mentes e só sintam o processo... Uns 10 minutos para começar está ótimo! rss

Ao lerem esse post, pensem que seu dia será produtivo, agradável e com alegria.
Se estiverem tendo um dia complicado... calma, tudo vai se ajeitar.
Ao final da jornada, não esqueçam de agradecer por tudo... inclusive ao Maquinista dessa intensa viagem.

Abraços de Luz...





quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Receitas

Sobre o Sentir... isso que não é nada fácil, como escrever num no papel, como se fosse uma receita de bolo.
Então, se do outro lado não houver uma boa compreensão, a iguaria pode queimar, transbordar ou nem cozinhar.
É preciso ficar atento, ao fogo, à quantidade de água, ao ingredientes... mas tem uma coisa que não dá para controlar. A MÁGICA do processo em si, porque tudo pode ser feito corretamente, mas em um determinado momento são as reações químicas que se fundem à coisas como vontade, sentimentos etc...

Puxa, preciso terminar... acho que temperei muito aquele DOCE... enfim.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Minduim...

Charles foi reprovado em todas as matérias na oitava série.
No segundo grau, foi reprovado em física com a nota mais baixa da história da escola. Também foi reprovado em latim, álgebra e inglês. O desempenho nos esportes foi insuficiente. Parecia que ninguém se importava com ele. Surpreendia-se quando alguém passava e dizia olá. Ele, os professores e os colegas sabiam que era um fracassado, segundo todos os padrões convencionais. Resignou-se ao mais baixo nível de mediocridade, ou pior.
Porém, contrariando todas as expectativas, no fundo ele acreditava possuir uma centelha natural de genialidade ou talento: desenhar. Orgulhava-se de seus esboços, mesmo sabendo que ninguém lhes dava importância. No segundo ano do ensino médio, enviou uma série de histórias em quadrinhos para o livro anual da escola. Foram rejeitados. Após o segundo grau, completou um curso por correspondência em arte - sua única formação na área. Depois enviou uma carta ao Walt Disney Studios, na esperança de trabalhar como cartunista. Solicitaram os desenhos, e ele trabalhou horas antes de enviá-los à empresa. A resposta recebida dos estúdios: uma carta padrão negativa.
Mas Charles sentia que possuía um talento peculiar e valioso, mesmo que só para si. Assim, reagiu à rejeição de Walt Disney, desenhando sua autobiografia em quadrinhos, um fracassado crônico, um garoto cuja pipa nunca subia, mas alguém que o mundo todo viria a conhecer: Charlie Brown. Charles, mais conhecido como Charles Schultz e seus quadrinhos "Peanuts", lançados em 1948, tornaram-se um dos desenhos mais famosos da história, chegando hoje a aparecer em 2.600 jornais, em 21 idiomas.
Ao longo dos anos, Charles ganhou cerca de US$ 55 milhões. Cada um dos personagens dos "Peanuts" transformou-se em nomes familiares para cerca de 350 milhões de leitores distribuídos em 75 países. Um vasto potencial humano é desprezado ou se perde porque não entendemos a verdade que Schultz percebeu: ele tinha um potencial único. Mesmo quando ninguém parecia valorizar ou até mesmo admirar seu talento, Schultz adquiriu coragem para desenvolvê-lo com qualidade marcante. Contra todas as expectativas, defendeu esse ponto forte e, no final, emocionou o mundo.
Pergunto-me: o que você traz em seu íntimo neste exato momento? Você tem idéias e sonhos, todos temos. Escondida em seu coração, presa firme aos primeiros obstáculos, está a classe que você devia liderar ou a pré-escola que anseia iniciar. Trancado lá no íntimo está o livro que hesita em fazer, por temer que ele não seja lido. Essa riqueza guardada em seu íntimo não pode ser herdada pelo cemitério. Você privará esta geração dos sonhos que você tem? Você destituirá esta geração e a próxima levando o tesouro que Deus lhe deu para o cemitério? Morra vazio!
Até morrer, em fevereiro do ano de 2000, Charles Schultz desenhou os mesmos quadrinhos "Peanuts" durante mais de 41 anos. Ele não enriqueceu o cemitério privando as pessoas da alegria e prazer de ler suas tiras. São muitos que morrem ricos, com sonhos agarrados firmemente ao seu coração silenciado. São muitos os que descem à sepultura com seu potencial preso lá no íntimo. Se pudéssemos aproveitar o poder não usado de uma sepultura, poderíamos mudar o mundo! Mas é claro que não podemos, porque aproveitamos somente o potencial dos vivos. Contanto que haja fôlego em nossos pulmões, o potencial não usado continua dentro de nós, esperando para ser liberado.
A razão por que ainda estamos vivos é que trazemos algo dentro de nós de que esta geração precisa. Meu lema é "morrer vazio". Não pretendo dar outra coisa ao cemitério que não seja a carcaça vazia de uma vida bem vivida. Gostaria que meu epitáfio fosse: "Vazio!" Nada restou. Sem graça.
Por:
Daniel C. Luz