Ontem, indo trabalhar encontrei meus mini-vizinhos... Dois guris muito bacanas, educados e bonitos. Um deve ter uns 9 anos e o outro 8? rss... Sempre esqueço de perguntar.
Conversamos um pouco, eles estavam indo trocar um dvd... pirata! Esses dos vampiros modernos... rss.
Olhando para eles, me vi quando garoto. Aquela vivacidade nos olhos, no jeito de andar, os sorrisos... Aquele ar de inocência, pureza e alegria!
Se repararmos em algumas crianças, não parece que andam ou correm... parece que flutuam!
Sabem, como adultos devemos ter muito cuidado com eles... não devemos podar seus sonhos, intimidá-los com medos etc. Devemos enche-los de coragem, entusiasmo, amor, educação e valores morais.
Não devemos permitir que os maltratem, muitas coisas eles não entendem.
Tenhamos paciência, atenção para ouvi-los e instruí-los em seus questionamentos.
Quando falarmos com uma criança, não tenhamos vergonha de nos abaixar, até ficar na altura dela... não tenhamos vergonha, de por algum momento, entrar em seus mundos imaginários.
Não esqueçamos que um dia, também fomos crianças... e tínhamos a mesmas necessidades e peraltices da fase.
Acabaremos percebendo que quando as tratamos com respeito, elas percebem, pois, são muito verdadeiras e espontâneas.
Saberão identificar o ser humano que somos, á metros de distância... e quando nos olharem nos olhos (mesmo até sem nunca nos ter visto na vida), nos entregarão seu mais rico tesouro... um lindo e sincero sorriso.
E isso invadará nossos corações de Paz.
terça-feira, 31 de julho de 2012
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Perigo!!!
Começou como uma brincadeira em volta da fogueira... risos, olhares, palavras e calor!
Como eram só "inverdades", não deu créditos para uma história que surgiu como fumaça.
Diz a sabedoria que onde há fumaça, tem algo mais... Brincou com brasas na frente de todos, pois, não havia o que temer... não iria se queimar, nem pretendia.
Muito seguro de si, ajeitou os gravetos com maestria, e não se importou quando alguém brigou, dizendo que o fogo estava alto de mais!
Oras... não tinha perigo algum. Será que não se conhecia?! Claro que sim... ou talvez.
Até que mais fogueiras precisaram ser acesas... e era Inverno, um convite à proximidade.
Aproximar siginifica: tornar-se íntimo, logo, o calor virou atração. Perigo!!
Um beijo roubado... uma bomba no amontoado de madeiras queimando.
A explosão confundiu tudo... mas desevendou o que havia por trás da fumaça... Paixão!
Não teria o que pensar sobre os novos sentimentos... Mas existiu a dúvida, o medo, a culpa(?)
Apagar tudo seria a melhor solução... esquecer! Ser feliz para quê? O que os outros iriam pensar?
Ok... poderia ser feliz outra hora, outro momento, outro mês... ou em uma outra vida!
"Não pense em você!" - é o que refletiu o espelho
"Pense nos outros!" - ele insistia...
Então, num ato de coragem... deixou que todos soubessem, mesmo da pior maneira possível... por mentiras!!
E então, foi queimado, em praça publica como uma bruxa na inquisição. O nome na lama... Pessoas se afastaram... as queimaduras foram inevitáveis.
Porém, como num sonho tudo ficou muito agradável, uma perfeita harmonia. De alguma forma, deveria passar por isso... deveria perder para ganhar!
Quando deita a cabeça no travevesseiro, ela está em paz... o coração se sentindo seguro. Diferente das línguas que insistiam em açoitar o que elas não compreendem... as chamas de um Amor verdadeiro.
Como eram só "inverdades", não deu créditos para uma história que surgiu como fumaça.
Diz a sabedoria que onde há fumaça, tem algo mais... Brincou com brasas na frente de todos, pois, não havia o que temer... não iria se queimar, nem pretendia.
Muito seguro de si, ajeitou os gravetos com maestria, e não se importou quando alguém brigou, dizendo que o fogo estava alto de mais!
Oras... não tinha perigo algum. Será que não se conhecia?! Claro que sim... ou talvez.
Até que mais fogueiras precisaram ser acesas... e era Inverno, um convite à proximidade.
Aproximar siginifica: tornar-se íntimo, logo, o calor virou atração. Perigo!!
Um beijo roubado... uma bomba no amontoado de madeiras queimando.
A explosão confundiu tudo... mas desevendou o que havia por trás da fumaça... Paixão!
Não teria o que pensar sobre os novos sentimentos... Mas existiu a dúvida, o medo, a culpa(?)
Apagar tudo seria a melhor solução... esquecer! Ser feliz para quê? O que os outros iriam pensar?
Ok... poderia ser feliz outra hora, outro momento, outro mês... ou em uma outra vida!
"Não pense em você!" - é o que refletiu o espelho
"Pense nos outros!" - ele insistia...
Então, num ato de coragem... deixou que todos soubessem, mesmo da pior maneira possível... por mentiras!!
E então, foi queimado, em praça publica como uma bruxa na inquisição. O nome na lama... Pessoas se afastaram... as queimaduras foram inevitáveis.
Porém, como num sonho tudo ficou muito agradável, uma perfeita harmonia. De alguma forma, deveria passar por isso... deveria perder para ganhar!
Quando deita a cabeça no travevesseiro, ela está em paz... o coração se sentindo seguro. Diferente das línguas que insistiam em açoitar o que elas não compreendem... as chamas de um Amor verdadeiro.
domingo, 29 de julho de 2012
Amargo e Afável - Parte 3/4
Fique ali, aquele pouco tempo, lembrando
também do ciúme que as crianças sentem umas das outras quando elas chamam só
por ver que está a dar atenção a outra (e elas não têm culpa nisso; cabe a nós
explicar que não há necessidade, que ela é tão importante quanto as outras e as
outras são tão importantes quanto ela), lembrando de quando elas chamando para
fica ao lado delas para que comam, pedindo que dê comida na boca delas só para
que fique ao lado delas, querendo atenção, lembrando até da bronca que se tem
que dar quando, ás vezes, ameaçam chorar ou fazem manha quando se tem que sair
do lado delas; da agitação que algumas ficam quando eu chego. De quando elas,
mesmo já com sono, fazem um esforço tamanho para ficar acordadas esperando a
vez de ser ninada pelas tias.
Na hora da saída, enquanto algumas esperavam
pelos pais, eu sentei de frente para elas, no chão, como sempre faço, e fiquei
conversando, ouvindo suas histórias. Uma delas, uma menininha, veio e se jogou
nas minhas pernas e ficou toda espichada levantando a mãozinha – Tio, faz
aquele “negôço” - pedindo aquela brincadeira de cócegas que faço “Cadê o
ratinho que estava aqui? O gato comeu (...), lá vaio gato atrás do rato...”. E
aquelas mãozinhas minúsculas tentando me fazer cócegas – Agora é minha
vez.
Ter isso ameniza a dor de não ter meu e me
deixa extravasar um pouco todo o carinho que ficou preso. Nunca quis ser pai,
desejei uma vez, com alguém, entendendo e sentindo a razão de desejar, por ter
o fruto da junção de duas carnes que têm amor, por ser fruto e prova legítima.
E aquelas crianças me dão um pouco do que me foi negado.
Tudo isso estava girando na minha cabeça. Eu
estava lendo “Cidade do sol”, e dois dias depois, um sábado, na casa da minha
mãe, acabei de lê-lo. E então me bateu a consciência sobre o que
desesperadamente eu era incomodado tanto à saber. Somente naquele dia me abateu
o entendimento e a consciência de todo o pensamento: Nós sobrevivemos.
Foi só naquele momento que entendi ter solucionado
o que tão urgentemente eu precisava saber; e eu precisava saber “Por que
sobrevivemos? Qual o valor da vida? - Eu precisava lembrar. Eu precisava ser
consciente de o porquê estava vivendo.
Nós sobrevivemos
a todo o sofrimento que passamos, sobrevivemos às dificuldades que a vida nos
impõe, sobrevivemos às frustrações, às limitações. Sobrevivemos às magoas,
sobrevivemos às derrotas, sobrevivemos aos erros... Às vezes, até deixamos de
caminhar, paramos, mas sobrevivemos,
resistimos. E para quê?
E é para isso:
Sobrevivemos para gozar dos momentos bons, para viver coisas boas, sobrevivemos
pelos momentos felizes, sobrevivemos para fazer alguém feliz pelo simples fato
de estarmos ali.
... E aqueles
pequeninos fazem uma grande diferença na minha vida. A paz que é saber que
estou e faço diferença na vida deles.
Mesmo com todas
as amargas e dolorosas perdas, mesmo com todas as inúmeras dificuldades,
frustrações e as tragédias habituais as quais somos acometidos, nós
sobrevivemos.
Então foi isso
que entendi, o que tinha urgência em entender:
- Eu estou aqui,
eu sobrevivi, e não é só por mim que estou aqui. E isso faz toda a diferença.
Mas algo ainda
estava me incomodando...
Alexandre Vieira.
(continua)...
Amargo e Afável - Parte 1/4
Amargo e Afável - Parte 2/4
Amargo e Afável - Parte 4/4
Alexandre Vieira.
(continua)...
Amargo e Afável - Parte 1/4
Amargo e Afável - Parte 2/4
Amargo e Afável - Parte 4/4
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Amargo e Afável - Parte 2/4
No dia seguinte àquilo, de tarde,
enquanto as crianças comiam – eu não sei o nome dela, e recordo de vê-la pouco
(aquela funcionária) – e eu conversava com algumas delas, indo de um canto a
outro do refeitório atendendo seus chamados para ouvir suas histórias – uma
boneca que a mãe comprou, um presente que o tio deu, um passeio que fez no
final de semana (às vezes só para ficar ao lado delas) - ou chamá-las a atenção
por não estarem comendo, ela parou seus afazeres e disse:
- Você vai ser um bom pai, sabia? – E nessa
hora eu estava com uma das crianças no colo, ensinando outra a como segurar a
colher corretamente para comer “bonita” e um menininho agitando ao meu lado,
tentando me fazer cócegas - e eu senti aquela velha tristeza afagando uma
cicatriz dolorida no peito e, na boca, a, agora branda, amarga lembrança da
perda da minha sobrinha (há anos; ela tinha um aninho) e a desgostosa sensação
(ainda recente) soterrada e irremediável de não mais poder sonhar ter a garota
que amei ao meu lado e a frustração de não mais poder imaginar nossa suposta filha
(porque ia ser tão bela quanto à mãe, ter nossos jeitos quietos e o olhar
manso) dormindo no berço, brincando e espalhando seus brinquedos no quarto ou
tentando chamar nossa atenção pedindo colo enquanto conversávamos no sofá da
sala... Mas no mesmo segundo pensei “e já não estou sendo?”, dizendo a
ela: Olha quantos filhos já tenho, não está bom? – E sorri um sorriso meio
amargo misturando satisfação e aquela pequena dor que ela viu somente orgulhoso
e satisfeito em meu rosto.
Depois das crianças comerem, já estava perto
da minha hora de almoço. E eu saí para comer, depois delas escovarem os dentes,
e elas já estavam na sala – Era hora de dormir, descansar e só acordar de
tarde.
Então eu saí, estava fumando um cigarro, e
estava ansioso para voltar, e achei engraçada essa vontade. Estava pensando
naquele menino agitado e “desobediente” (não é culpa dele, as crianças têm
energia e querem gastar e, ás vezes, não têm quem imponha limites às suas
vontades) perguntando “Tio, vai me coloca pra dormir hoje?”... E era uma
sensação boa aquela lembrança do que ocorrera minutos atrás. Eu olhei para o
céu, sorrindo, e senti gosto na vida, me senti importante - Para alguém eu faço a diferença...
Eu sorri meio amargo, lembrando também de
minhas tristezas, mas naquela hora eu sabia que valia a pena estar vivo, eu
senti o porquê eu sobrevivi a tudo - eu me senti em paz.
terça-feira, 24 de julho de 2012
Amargo e Afável - Parte 1/4
Pela primeira vez, desde que comecei, eu havia
ficado mais de um mês sem escrever qualquer coisa (sequer uma anotação vaga) –
Foi um tempo difícil -, deixando os pensamentos fugirem, (e também não mexi no
violão) deixando as canções escaparem. E assim ficaria, pois não encontrava
mais animo para isso, não havia razão para escrever; Não havia coisa
relevante, coisa não dita. Mas três fatos desencadearam pensamentos insistentes
que me fizeram retornar, pois passou ser necessário dizer. Passou a ser
escrever para poder ler depois; para não esquecer.
Diante da página em branco naquela noite, eu
quase me esqueci dos pensamentos significativos que havia tido minutos atrás,
do quê me fez correr ao caderno, mas consegui lembrar-me muito bem de tudo como
ocorreu e o que me levou a ter esses pensamentos.
- Saí de casa atrasado, peguei o primeiro
ônibus vazio que parou - depois de fumar meu cigarro já no ponto - e fui
sentado durante os 15 minutos de viagem. Soltei com o ônibus ainda em movimento
sem atentar para o mundo á volta, sem olhar rostos ou enxergar as pessoas,
fixado na idéia de chegar logo ao serviço. Andei em disparado, freneticamente
por uns cinco ou seis metros, dos cem metros até a porta da escola. Ouvi uma
breve freada e um barulho oco e depois vidro quebrando com o impacto.
Meu rosto virou-se para o som sem que eu
mandasse. Vi a figura de uma menina sendo arremessada pelo ar e voltando ao
chão para ali permanecer inerte.
Tentei não olhar para aquela figura posta ao
chão enquanto vultos de carros passavam velozes cortando minha visão e outros
freavam e paravam bruscamente entre mim e aquele acidente – Agradeci por isso,
por não poder ver e por decidi ir logo para o trabalho, pois disseram mais
tarde que seu rosto estava desfigurado e que havia muito sangue, que ela
fatalmente devia ter morrido (e só a descrição da coisa e essa última
informação já era o suficiente para me deixar abalado e fazer meus nervos
enrijecerem).
Tentei não pensar nessas coisas, esquecer o
ocorrido, e por vezes as crianças conseguem fazer me esquecer de tudo, de todas
as minhas tristezas, amarguras, frustrações; As crianças conseguem fazer me
esquecer de tudo o que dói – nas crianças eu sinto possível poder construir um
mundo novo, é pelas crianças que tenho a esperança de que alguma coisa boa
aconteça -, mas elas não podiam competir contra os adultos e o leva e traz de
notícias “quentes” e, então, o meu dia foi tomado por uma tristeza branda e
abatida de ver que num piscar de olhos uma vida, seus desejos, sonhos e tudo o
mais, não estavam mais ali; pela nítida e impressionante sensação de impotência
e fragilidade que cerca a vida humana – Mas não por isso, eu estava triste.
Lembrei-me de meu tio, falando e rindo ao telefone com a esposa do meu primo,
falando da neta, e de repente... Um tiro, um único e pequeno pedaço de metal
fundido o tirou de nós; Sem deixá-lo se despedir ou terminar a frase que ia
dizendo, sem aviso... E minha sobrinha que em um dia estava em meu colo, com
febre, apenas febre, e no outro eu nunca mais poderia pega-la no colo ou sentir
aquele cheiro doce ou sentir o leve daquelas mãozinhas.
Pensei naquela menina por todo o dia. Dezessete
anos. Estava pensativo por fora, desligado das coisas, mas estava arrasado
por dentro como se chorando inconsolável, e eu não entendia por que me abatia
tanto pensar naquela menina que eu não conhecia.
Que sonhos tinha? Quem ela amava? Quem a
amava? E senti urgência em saber alguma coisa até então muito
subjetiva para eu ter clareza do que seria.
Disseram que falava ao telefone, e falaram com
o ar acusador, típico das pessoas que não se importam: “Mas também ela devia
estar assim” – e andou pelo pátio fazendo a mímica da menina andando
displicente falando ao telefone ao atravessar a rua, dando a idéia que de
alguma forma ela mereceu ser atropelada, que tinha culpa naquilo - E essa é,
também, das coisas que me deixavam mais incomodado: As indagações, as acusações
sem qualquer prova, as conjecturas de quem nem ao menos entende a dimensão do
que fala, a disponibilidade e facilidade com que alguns têm e encontram para
apontar. A falta de tempo e a indisponibilidade que há para amar o próximo ou
ter compaixão, para sonhar seus sonhos e ser, no mínimo, solidário ou
impassível no pior dos casos – Há castigo pior que pagar com a vida por um
erro tão bobo? É realmente necessário ainda difamar alguém tão severamente
castigado?
Talvez sofrer grandes perdas nos ensine,
talvez seja necessário – Como o que é preciso ver para crer, como o que
é preciso sentir para entender. Mas... Qualquer um que tenha sofrido uma
perda significativa entende: Uma perda nunca ensina o bastante pelo o
que se perde, o ensinamento nunca irá justificar a perda, nunca
irá justificar perder irrefutavelmente. Nunca é tão valioso pela dor e tristeza
irremediável.
(Continua)
(Continua)
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