domingo, 22 de julho de 2012

Sabedoria noturna - Carência.



Eu sei porquê eu gosto da madrugada, é eu e eu, sem fingimentos ou mentiras.

Três e meia da madrugada. Eu nunca vi tanta gente carente, tanta gente... Sozinha. Tanta gente sozinha... Aflita e... Desesperadas internamente. Perdidas e tristes.

Uns procurando calor, outros procurando amor... Todos fugindo da solidão, gritando em sussurros subjetivos e socos nos muros da própria mente.
As coisas mudam dentro do nosso coração, mas nós sempre vamos precisar de amor. Sempre vamos precisar amar...

E é tão escancarado. Nunca vi tantas pessoas se sentindo sozinhas... diferente daquelas que estão bem consigo sozinhas. Mas as pessoas esquecem o que é isso, e então tornam a se sentir só, porque... Mais quem reparou? Ou qual foi o pai que ensinou ao filho? E quais foram aqueles que entenderam?

Nunca vi tantas pessoas se sentindo sozinhas... Todos fugindo da solidão, gritando dentro dos muros da própria mente - Postados em sussurros subjetivos e socos
Desesperadas internamente. Perdidas e tristes. – E isso te leva a fazer qualquer coisa imediata; Mas isso não te salva, não te impede de em pouco tempo “pessoas se sentindo sozinhas”.

- Espera – Ele disse.
- O que é?! – Ela perguntou, decepcionada, frustrada. E iria embora, sem pensar.
- Eu não sei, mas espera – Ele respondeu.
- O que é?
- Não sei, apenas espere. Só quero que espere um pouco – Ele disse.

Eles se conhecerem em um dia de inverno, e fazia esse mesmo frio. Gostaram um do outro. E diferente do que sempre ocorre, tinham mais em comum (mas não tudo) do que a solidão, a carência e o frio.
A história de cada um é diferente depois disso, mas a questão é: Você lembra? Você lembra o porquê está com alguém, o que te levou a fazer isso?
Divertira-se, sorriram. Foram felizes até que... Esqueceram. – E as pessoas estão esquecendo rápido demais...
São essas doenças do século XXI. São as novas doenças, os novos cânceres - Superficial e imediato.

“Não sei, apenas espere...”

É fácil, realmente fácil estar com alguém, mas... Não sentir-se sozinho e fazer alguém não se sentir sozinho... Uma noite, duas, três... Mas isso não te salva do “pessoas se sentindo sozinhas”.

E é um "fingimento" muito grande, as pessoas sem consciência alguma brincando com seus bonecos(as) de ouro, quebrando-os(as). - Então, compra-se outros. E é como se nunca tivessem nenhum, mas nunca tiveram...

Lembre-se que á noite faz frio... E que conhecer alguém, ser conhecido, uma história, é coisa difícil...

“Não sei, apenas espere...” – Antes de jogar tudo fora. - Você se lembra daquela marca na árvore? - E não espere perder para lembra porquê está com alguém... E lembrar de toda história... 

Alexandre Vieira

sábado, 21 de julho de 2012

Amargo e Afável - Prologo.




O dia estava frio, era sábado. Eu estava olhando o amanhecer pela janela do meu quarto. A névoa cobria o céu e descia até a rua.
As pessoas passavam caminhando pela rua indo trabalhar e uma moto fez barulho subindo a rua a minha frente. E eu apenas observei aquela imagem.
As pessoas já haviam sumido, a moto já havia partido quando acordei daquela imagem, e a névoa permanecia. Apenas os pássaros, era tudo o que eu ouvia. Depois as portas batendo, mais pessoas saindo... E eu olhando aquela imagem, tão nítida.
Alguns pássaros voavam, mesmo no frio, e apesar da neblina, o céu não se escondia – lá no fundo a imagem belíssima da copa da árvore inebriada pela neblina e o céu do amanhecer quase fazendo um arco iris...

“Como minha memória e minha fé, guardei a bandeira do regimento que me foi dada. Eu continuo a acreditar, como você também deve, que todos estão vivos - Todos de quem falei, e outros que não conheci tão bem. Todos eles estão vivos em algum lugar, e naquela época, eu tinha a mesma idade que você.”
A Resistência. – Render-se não é uma opção.


(Aguardem o que virá...) 

Alexandre Vieira.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Criança


Já se deparou com uma criança que tem pavor de coisa tão boba?
Você diz: - Meu amor, é só uma foto. Vamos tirar uma foto? – Mas ela não quer, têm pavor por alguma experiência passada. Chora, se joga no chão, mas não por pirraça, e você sente que não é manha, então dá uma pena forçar a criança.
De outra vez, essa mesma menina, quando foram médicas à escola, não queria se pesar, muito menos deitar no colchão para que pudessem medir seu tamanho. - Foi uma luta, e ai sim, vira algo ruim, pois tiveram que segura-la. E ela correu para atrás de mim, assustada, e eu não tinha o que fazer, dizia: “Meu amor, a tia só vai medir você, não vai doer”, mas ela não escutava. E o pior, fazia uma cara tão assustadinha, como quem dissesse “Por favor, me ajuda. Eu não quero”. E chorava, esperneava, e estendia o bracinho para mim enquanto a levavam, e eu não preciso dizer que isso quebra nosso coração.

Outro dia me vi assim, a consciência, a vontade e a... Não sei o nome, talvez “coração”. Não sei, é lá onde fica o amor.
Eu dizia, em consciente, “Por que não?”, mas ele sempre acha um impedimento, diz que não quer, e até o vejo espernear se um pouco forçado a tentar – como uma criança que não quer comer e, mesmo mastigando a comida, está pronta para cuspir, engole e para cada nova colher, fecha a boca e vira o rostinho para os lados.
Eu estava olhando isso, não sei quando, essa criança dizendo “não quero” e fazendo corpo mole, mas não de pirraça, não tinha vontade, não queria, não tinha saco. E não era manha...
– Sabe quando você acaba de sair do supermercado lotado e te falam que você vai ter que entrar de novo?

Uns dias antes, um amigo reclamando da namorada, falou um monte de coisas, e depois disso, fez a pergunta chave:
- Você, se você entra em um relacionamento agora, você vai fazer uma pessoa pagar pelos erros que outra pessoa cometeu com você?
E eu disse:
- Complicado. Consciente, nos escolhemos, temos consciência das coisas. Inconscientemente, não temos escolha, a criança é quem manda, a inocência e a ingenuidade. Somos o que somos e o que vivemos e, às vezes, cansamos. Não que essa outra pessoa vá “pagar” pelos erros de outra, mas é quase isso. As coisas nos mudam, o frio nos torna frio, o quente nos torna quente, se é que me entende. Somos o que somos e as coisas que vivemos...

Então voltamos à criança, que pouco vejo, quase sempre inconsciente nos meus gestos; É quando eu sei que todos pagam por isso, quando me deparo com coisa tão boba: Essa rejeição e esse medo e essa falta de vontade, de senso e consciência dos atos para os corações alheios a tudo isso – Os monstros imaginários que a criança teme, que estão sempre rondando nossos berços.

- Sim, e na verdade, todos vão pagar por isso – respondi por fim – e é quase imperceptível, porque a criança é inocente e é ela quem sempre fica com o trauma.


***
Fazendo uma visualização rápida:
O corpo, a carne, o espírito, a alma. A consciência, a inconsciência e o instinto. No fundo disso, a criança, no mais intimo da lembrança; E tudo isso no mesmo plano.
Por mais fraca ou forte que possa ser a pancada, fora nos vemos, o que é externo, o que é pouco interno. Cuidamos, cicatriza e “cura”, até pode deixar marca. Para algo interno, tão lá no fundo onde fica a criança, sempre fica o “trauma” da pancada, e apenas isso, o trauma.


Alexandre Vieira.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Diálogo: O Anjo e o Humano...

Humano:
-Tenho uma bomba... jogo lá fora?
Anjo:
-Mas se jogar fora, ela vai "machucar" quem não tem nada haver...
Humano:
-Esse é o objetivo, quero que elas vejam a minha dor!
Anjo:
-Como assim? Porque?
Humano:
-Estou ferido, sangrando...
Anjo:
-Quem te fez isso?
Humano:
-Uma pessoa em que confiava muito.
Anjo:
-Porque não resolve com ela?
Humano:
Porque estou com muita raiva.
Anjo:
-Ah, tá... então, vai dissipar sua raiva nos outros... qual é o objetivo?
Humano:
-Que vejam minha dor...
Anjo:
-Isso não é ser coitadinho?
Humano:
-Não. Preciso falar com alguém... preciso desabafar.
Anjo:
-Entendi... vai falar com todo mundo? Menos com quem te fez mal?
Humano:
-Sim...
Anjo:
-Aí, você fica bem... porque todos vão se compadecer da sua dor mas e o "vilão" da história?
Humano:
-Ele me enganou, me traiu não quero vê-lo mais...
Anjo:
-Mas com isso... você não resolve o problema.
Humano:
-Não importa! Ele fez tudo errado...
Anjo:
-Bom, isso é o que você me diz... isso á sua verdade.
Humano:
-Pode acreditar que não estou mentindo.
Anjo:
-Só poderei acreditar, quando ouvir a outra parte e mesmo assim não terei uma verdade inteira, percebe?
Humano:
-Mas se estou dizendo à você...
Anjo:
-E porque não dá ao outro a chance de se explicar? É muito difícil, não? É mais fácil agir como criança que adulto... mas olhe... a outra pessoa é tão "ruim",que ela reza por você todas as noites...
Humano:
-Como assim?
Anjo:
-Todas as noites antes dela dormir ela pede proteção à todos seus amigos e seu nome também faz parte da lista.
Humano:
-Isso não é verdade!
Anjo:
-Então, eu estou mentindo? Ou seu egoísmo fala mais alto? A sua dor não é a única no mundo... e eu vejo que a sua verdade é só o que você quer ver... não quer admitir seus erros, só mostrar para todos o quanto é vítima e que só o outro errou...
Humano:
-O que faço agora?
Anjo:
-Para começar acorde e tente se lembrar desse sonho... depois ouça a outra parte, só ouça... verás que a sua verdade, foi algo que você criou, para seu próprio conforto. Aí então, faça o que tem que ser feito, mas com justiça e não inverdades!



quarta-feira, 4 de julho de 2012

Movimento


Preciso contar histórias, preciso ouvi-las, vê-las passando diante dos meus olhos ou na minha mente.
Não posso ficar só esperando algo real... preciso ir buscá-las em algum lugar.
Talvez dentro de mim ou nas outras pessoas... talvez lá no fundo do oceano esteja uma história esperando para ser descoberta... contada!
Uma sereia que se apaixonou por um marinheiro? Mas como ela se deixou enganar? Ah, ele tinha um violão. ok...
Escrever não é fácil... já escrevi isso, eu sei. Não estou lamentando... só brincando com as palavras e a madrugada.
O que eu fiz de extraordinário ontem? Reguei as plantas e... cantei para elas. Isso mesmo, achei que estavam muito sozinhas... entediadas com sua folhas e raízes.
E elas? Bem... elas riram... e isso já me lembra "O pequeno príncipe"!
Sabem conheço algumas pessoas que eu as vejo em filmes, rs. Como uma certa moça, que vamos chamar de Dalva!
Uma moça muito religiosa, que desde criança, ia à igreja... e por conta disso foi muito cobrada... de uma certa forma, impedida de crescer. 
Então, uma fatalidade abateu-se sobre sua vida, a perda de alguém muito importante... Ela quase enlouqueceu!
Brigou com Deus, se deprimiu, fez terapia, tomou remédios... Foi uma fase muito difícil!
Até que as coisas começaram a caminhar...  e ela passou a se libertar de todos  impedimentos acumulados.
Já não era mais a mesma pessoa... ou era? Sim, era. Mas algo havia mudado... e para melhor!
Descobriu a dança e seu corpo começou a falar por ela. O corpo queria espaço, era o espaço que tanto não teve, agora tinha. A dança, foi como uma chave que dizia: "Vá, menina! Voe!"
Ela foi... sem abandonar a fé. Porque, agora tinha consciência para decidir por si mesma o que lhe faria bem ou mal...
Agora seria sua ESCOLHA que contava, acima de tudo.
A tão acanhada lagarta no casulo, virou uma linda borboleta...