terça-feira, 16 de outubro de 2012

Recomeçar...


Não importa onde você parou...

Em que momento da vida você cansou...

O que importa é que sempre é possível recomeçar.
Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo...
É renovar as esperanças na vida e, o mais importante...
Acreditar em você de novo.
Sofreu muito neste período? Foi aprendizado...
Chorou muito? Foi limpeza da alma...
Ficou com raiva das pessoas?Foi para perdoá-las um dia...
Sentiu-se só diversas vezes?É porque fechaste a porta até para os anjos...
Acreditou que tudo estava perdido?Era o início da tua melhora...
Onde você quer chegar? Ir alto?Sonhe alto...
Queira o melhor do melhor...
Se pensarmos pequeno... Coisas pequenas teremos...
Mas se desejarmos fortemente o melhor e, principalmente, lutarmos pelo melhor...
O melhor vai se instalar em nossa vida.
Porque sou do tamanho daquilo que vejo, e não do tamanho da minha altura.
(Carlos Drummond de Andrade)

domingo, 14 de outubro de 2012

Tomara

Tomara
Que você volte depressa
Que você não se despeça
Nunca mais do meu carinho
E chore, se arrependa
E pense muito
Que é melhor se sofrer junto
Que viver feliz sozinho

Tomara
Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz

E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais...
Vinícius de Moraes

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Libertação!

Por esses dias me peguei pensado nas relações... não, não vou dar mais uma receita de como ter boas relações... trataremos de como rompe-las! É sério... rss
Mas não é aquele "Como terminar um relacionamento - vol 18". Estou tratando de como quebrar determinadas ligações que de alguma forma, podem "atrasar" as vidas das pessoas e muita gente não sabe disso.
Um exemplo: Uma garota gosta de um rapaz que é comprometido ou o rapaz não tem interesse pela mesma. Quantas vezes num determinado período de tempo, essa garota pensa nesse rapaz? Quantas vezes ao dormir, ficou imaginado o quanto seria bom se o "querido" em questão, terminasse com "a rival" ou que ele apenas se apaixonasse por ela? E nisso a pessoa não se dá conta, mas vão semanas, meses e até anos.
Sei de casos, onde pessoa já construiu toda uma nova história, mas ainda assim... pensa e nutre esperanças naquele antigo amor.
Percebem que isso é como se criasse um elo invisível entre as pessoas?
Criamos pensamentos, lembranças, desejos etc. E sem perceber a vida vai passando e vamos nos prendendo ao passado e até ao que não se passou... E o que é mais interessante, acreditem ou não é que podemos também estar prendendo o outro sem ele que ele saiba.
Esse "prender", entendam como atrasar a vida alheia. Pois, a pessoa que está sendo "presa" em vibrações/pesamentos, pode não conseguir progredir; pode até se relacionar com outras pessoas, mas não consegue um relacionamentos estável; pode ter doenças como depressão; pode ter suas fraquezas ainda mais acentuadas, entre outras coisas.
Aí, os mais "apaixonados", pensaram que é uma vantagem, não é? Pergunto: Mas que Amor é esse, onde há uma satisfação em saber que o afeto em questão, pode estar sendo prejudicado?
Tudo por conta do nosso egoísmo, falta de amor próprio e resignação.
É bem isso... é difícil aceitar que a tal história não deu certo ou não se concretizará. O Amor verdadeiro não pode ser egoísta, o Amor liberta. E como podemos amar ao outro se nos falta o amor próprio?
Isso não vale só para relações amorosas, vale para família e amigos também.
Aquelas histórias de irmãos, pais, filhos... relações que por algum motivo não "funcionam".
Amigos que por algum motivo, se magoaram, brigaram etc... Para quê ficar remoendo tudo isso? Ficar desejando mal, ficar com ressentimentos... e a vida passando, percebem?
Não pensem que isso não tem fundamento.
Esse que vos escreve, começou a perceber essas situações no início do ano. Fui atrás de certas pessoas para me libertarem e vice-versa.
Claro, que nem todas dá para ter uma conversa, seja por questões de distâncias, pessoais etc. Então, as libertei em pensamento, preces/vibrações.
Pode parecer algo estranho, mas vocês não tem ideia de como foi bom... de como me deixou mais leve. Até um pai que nunca tive, achei importante colocar nos meus pensamentos e dizer para o universo que a partir daquele dia ele estaria livre! Livre das minhas inquietações que tive durante toda minha vida à seu respeito.
O importante é que possamos nos LIBERTAR dessas ligações!
Não estou querendo dizer para tirar as pessoas das nossas vidas e sim para remover o que incomoda, o que não dá mais certo dentro de cada um de nós.
Ponhamos o esquecimento, o perdão, a alegria de um dia ter conhecido uma pessoa tão especial... Exercitemos nossa capacidade de transformar algo ruim em algo bom, aprendizado.
Querem algo pratico?
Que tal irmos conversar com a(s) pessoa(s), que achamos ter algo pendente?

Não é possível? Façamos algo simbólico:
Antes de dormir, escrevam em um papel o(s) nome(s) da(s) pessoa(s) em questão.
Pegue um copo de água, um pedaço de papel e escreva o(s) nome(s).
Mentalize que você quer romper esse(s) elo(s), pois não lhes fazem bem. Fale com vontade e determinação: "Fulano, a partir de hoje eu decreto, do fundo do meu coração e da minha alma que estas liberto!" Se quiser pode acrescentar algo, como um pedido de perdão.
Deixe o copo com água em cima do papel. Pela manhã queime-o e jogue a água fora.

Podem acreditar, funciona... Libertem-se!

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Imagens



Membro da tripulação junto ao balão de ar quente no festival aéreo internacional de balões, durante o feriado judaico de Sucot, no parque Timna, em Israel.


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Grande Edgar


Já deve ter acontecido com você.

- Não está se lembrando de mim?

Você não está se lembrando dele. Procura, freneticamente, em todas as fichas armazenadas na memória o rosto dele e o nome correspondente, e não encontra. E não há tempo para procurar no arquivo desativado. Ele está ali, na sua frente, sorrindo, os olhos iluminados, antecipando a sua resposta. Lembra ou não lembra?

Neste ponto, você tem uma escolha. Há três caminhos a seguir.

Um, o curto, grosso e sincero.

- Não.

Você não está se lembrando dele e não tem por que esconder isso. O “Não” seco pode até insinuar uma reprimenda à pergunta. Não se faz uma pergunta assim, potencialmente embaraçosa, a ninguém, meu caro. Pelo menos não entre pessoas educadas. Você devia ter vergonha. Não me lembro de você e mesmo que lembrasse não diria. Passe bem.

Outro caminho, menos honesto mas igualmente razoável, é o da dissimulação.

- Não me diga. Você é o... o...

“Não me diga”, no caso, quer dizer “Me diga, me diga”. Você conta com a piedade dele e sabe que cedo ou tarde ele se identificará, para acabar com a sua agonia. Ou você pode dizer algo como:

- Desculpe deve ser a velhice, mas...

Este também é um apelo à piedade. Significa “Não torture um pobre desmemoriado, diga logo quem você é!” É uma maneira simpática de dizer que você não tem a menor idéia de quem ele é, mas que isso não se deve à insignificância dele e sim a uma deficiência de neurônios sua.

E há o terceiro caminho. O menos racional e recomendável. O que leva à tragédia e à ruína. E o que, naturalmente, você escolhe.

- Claro que estou me lembrando de você!

Você não quer magoá-lo, é isso. Há provas estatísticas que o desejo de não magoar os outros está na origem da maioria dos desastres sociais, mas você não quer que ele pense que passou pela sua vida sem deixar um vestígio sequer. E, mesmo, depois de dizer a frase não há como recuar. Você pulou no abismo. Seja o que Deus quiser. Você ainda arremata:

- Há quanto tempo!

Agora tudo dependerá da reação dele. Se for um calhorda, ele o desafiará.

- Então me diga quem eu sou.

Neste caso você não tem outra saída senão simular um ataque cardíaco e esperar, falsamente desacordado, que a ambulância venha salvá-lo. Mas ele pode ser misericordioso e dizer apenas:

- Pois é.

Ou:

- Bota tempo nisso.

Você ganhou tempo para pesquisar melhor a memória. Quem é esse cara, meu Deus? Enquanto resgata caixotes com fichas antigas do meio da poeira e das teias de aranha do fundo do cérebro, o mantém à distância com frases neutras como “jabs” verbais.

- Como cê tem passado?

- Bem, bem.

- Parece mentira.

- Puxa.

(Um colega da escola. Do serviço militar. Será um parente? Quem é esse cara, meu Deus?)

Ele está falando:

- Pensei que você não fosse me reconhecer...

- O que é isso?!

- Não, porque a gente às vezes se decepciona com as pessoas.

- E eu ia esquecer você? Logo você?

- As pessoas mudam. Sei lá.

- Que idéia!

(É o Ademar! Não, o Ademar já morreu. Você foi ao enterro dele. O... o... como era o nome dele? Tinha uma perna mecânica. Rezende! Mas como saber se ele tem uma perna mecânica? Você pode chutá-lo, amigavelmente. E se chutar a perna boa? Chuta as duas. “Que bom encontrar você!” e paf, chuta uma perna. “Que saudade!” e paf, chuta a outra. Quem é esse cara?)

- É incrível como a gente perde contato.

- É mesmo.

Uma tentativa. É um lance arriscado, mas nesses momentos deve-se ser audacioso.

- Cê tem visto alguém da velha turma?

- Só o Pontes.

- Velho Pontes!

(Pontes. Você conhece algum Pontes? Pelo menos agora tem um nome com o qual trabalhar. Uma segunda ficha para localizar no sótão. Pontes, Pontes...)

- Lembra do Croarê?

- Claro!

- Esse eu também encontro, às vezes, no tiro ao alvo.

- Velho Croarê!

(Croarê. Tiro ao alvo. Você não conhece nenhum Croarê e nunca fez tiro ao alvo. É inútil. As pistas não estão ajudando. Você decide esquecer toda a cautela e partir para um lance decisivo. Um lance de desespero. O último, antes de apelar para o enfarte.)

- Rezende...

- Quem?

Não é ele. Pelo menos isso está esclarecido.

- Não tinha um Rezende na turma?

- Não me lembro.

- Devo estar confundindo.

Silêncio. Você sente que está prestes a ser desmascarado.

- Sabe que a Ritinha casou?

- Não!

- Casou.

- Com quem?

- Acho que você não conheceu. O Bituca.

Você abandonou todos os escrúpulos. Ao diabo com a cautela. Já que o vexame é inevitável, que ele seja total, arrasador. Você está tomado por uma espécie de euforia terminal. De delírio do abismo. Como que não conhece o Bituca?

- Claro que conheci! Velho Bituca...

- Pois casaram...

É a sua chance. É a saída. Você passa ao ataque.

- E não me avisaram nada?!

- Bem...

- Não. Espera um pouquinho. Todas essas coisas acontecendo, a Ritinha casando com o Bituca, o Croarê dando tiro, e ninguém me avisa nada?!

- É que a gente perdeu contato e...

- Mas o meu nome está na lista, meu querido. Era só dar um telefonema. Mandar um convite.

- É...

- E você ainda achava que eu não ia reconhecer você. Vocês é que esqueceram de mim!

- Desculpe, Edgar. É que...

- Não desculpo não. Você tem razão. As pessoas mudam...

(Edgar. Ele chamou você de Edgar. Você não se chama Edgar. Ele confundiu você com outro. Ele também não tem a mínima idéia de quem você é. O melhor é acabar logo com isso. Aproveitar que ele está na defensiva. Olhar o relógio e fazer cara de “Já?!”)

- Tenho que ir. Olha, foi bom ver você, viu?

- Certo, Edgar. E desculpe, hein?

- O que é isso? Precisamos nos ver mais seguido.

- Isso.

- Reunir a velha turma.

- Certo.

- E olha, quando falar com a Ritinha e o Mutuca...

- Bituca.

- E o Bituca, diz que eu mandei um beijo. Tchau, hein?

- Tchau, Edgar!

Ao se afastar, você ainda ouve, satisfeito, ele dizer “Grande Edgar”. Mas jura que é a última vez que fará isso. Na próxima vez que alguém lhe perguntar “Você está me reconhecendo?” não dirá nem não. Sairá correndo.


(Luis Fernando Verissímo)