quarta-feira, 12 de setembro de 2012

As fotos é que pagam o pato

Depois de uma briga histórica, daquelas de não deixar coisa nenhuma em pé, você se vê completamente sozinha, o romance acabou. Ele não era nada daquilo que você pensava, é um cafajeste, um galinha, um insensível. Você corre até a cozinha, pega uma tesoura afiada, voa para seu quarto e, bufando de ódio, tira do armário a caixa com todas as fotos que vocês tiraram durante o namoro e começa a (não faça isso, garota, você vai se arrepender, o cara fez parte da sua história, um dia esta raiva vai passar e você nem lembrará do rosto dele, vai querer recordá-lo, larga esta tesoura, não faz bobagem, me escu...) picar bem picadinho todas as fotos em que aparecem juntos, menos aquela em que você está uma deusa - esta você vai cortar pela metade, e a parte em que ele aparece vai para o lixo, naturalmente.
Serviço feito. Nem mesmo um expert em quebra-cabeças de 20.000 peças conseguiria juntar o olho direito com o olho esquerdo daquele infeliz, as fotos viraram farinha. E agora? Está se sentindo melhor?
Você está se sentindo um trapo. A dor da perda não se aplaca com um gesto extremado, e se o propósito era vingança, grande porcaria: o modelo fotográfico que foi esquartejado segue inteirinho da silva tocando a vida dele, não sentiu nem um arrepio quando você praticamente moeu seu sorriso lindo. Ele tinha um sorriso lindo, não tinha?
Você vai lembrar do sorriso, dos olhos, da boca ainda por muito tempo. Picotar fotos é só a materialização de um desejo: gostaríamos que certas pessoas saíssem da nossa vida instantaneamente, bastando pra isso uma tesourada. Mas o processo de despedida é bem mais lento e mais difícil. É preciso deixar o tempo agir. E o tempo age com mais parcimônia.
Mas quem quer saber de parcimônia? Mulheres com o orgulho ferido seguirão mutilando seus álbuns de fotografia, arrancando cabeças, amputando casais que pareciam colados com superbonder. Uma pena aleijar assim o passado, mas, por outro lado, talvez seja conveniente deixar bem livre este ímpeto destrutivo e o pouco apego às lembranças. Nenhum problema em descarregar nosso ódio num pedaço de papel. Sabe-se lá o que aconteceria se o engraçadinho aparecesse na nossa frente e nos encontrasse com uma tesoura na mão.

(Martha Medeiros)

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Erro e perdão


O antigo presidente Juscelino Kubitscheck dizia que costumava voltar atrás, pois não tinha compromisso com o erro. Esta frase diz tudo. Errar faz parte de nossa vida e o aprendizado com estes erros faz com que aumente a nossa experiência e nos torne capaz de não cometer pelo menos o mesmo erro novamente.

Existem escolas que dizem que o erro é fundamental, apesar de nos trazer dissabores. Quando você erra você se questiona e este questionamento pode gerar uma mudança, crescimento e satisfação. Por outro lado tem muita gente que acha que não erra simplesmente porque não faz nada. Estes passam a vida comentando e criticando os erros dos outros e nunca assumem nada. A responsabilidade é sempre do governo, do funcionário de outro setor, do vizinho, enfim, do outro. Estes nunca se corrigem, pois acham que não erram e mesmo quando percebem não assumem seus erros.

Alguns ainda dizem que erraram por culpa do outro. Por outro lado, também é importante saber perdoar os erros dos outros e também os nossos. Isto mesmo. Perdoar a si próprio. Existem estatísticas que indicam que grande parte de doenças são de origem emocional e destas, a grande maioria é pela falta de perdoar. Quando achamos que alguém nos ofendeu e não conseguimos perdoar, isto fica remoendo o nosso consciente e causando distúrbios no nosso metabolismo, tais como ansiedade, depressão, insônia, hipertensão e muitos outros.

Isto vale para todos os relacionamentos, quer sejam profissionais ou dentro de nossa casa e variam de acordo com o que a pessoa representa para você. Por exemplo, se um bêbado lhe diz um monte de besteiras na rua, você não liga, pois nem sabe quem é o infeliz e logo esquece o acontecido. Se acontecer o mesmo com alguém muito conhecido ou mesmo querido, a situação muda completamente e você se magoa.

Por outro lado, é aí que mais precisamos perdoar. Provavelmente esta mesma pessoa que lhe magoou também já lhe deu muitas alegrias e entender um erro e perdoar é importante para bem viver. O médico e acupunturista Dr. Alexandre Massao Yoshizumi da Universidade de São Paulo diz que quando não há o perdão, os sentimentos e pensamentos costumam ser repetitivos sobre o assunto, e isto gera uma estagnação da energia, um tipo de curto circuito emocional que nos impede de ir adiante.

Quando ocorre o verdadeiro perdão, a pessoa permite que a energia flua dentro dela, desintoxicando os órgãos atacados. Por exemplo, o fígado é atacado pelos sentimentos fortes de raiva, mágoa e frustração e livrando-se deles, a doença pode desaparecer. Não devemos nos envergonhar em corrigir nossos erros, mudar de opinião e perdoar. Isto nos fará mais felizes e saudáveis.

Por Célio Pezza

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Exigências da Vida Moderna


Dizem que todos os dias você deve comer uma maçã por causa do ferro.
E uma banana pelo potássio.
E também uma laranja pela vitamina C. Uma xícara de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes.
Todos os dias deve-se tomar ao menos dois litros de água. E uriná-los, o que consome o dobro do tempo.
Todos os dias deve-se tomar um Yakult pelos lactobacilos (que ninguém sabe bem o que é, mas que aos bilhões, ajudam a digestão). Cada dia uma Aspirina, previne infarto. Uma taça de vinho tinto também. Uma de vinho branco estabiliza o sistema nervoso. Um copo de cerveja, para... não lembro bem para o que, mas faz bem. O benefício adicional é que se você tomar tudo isso ao mesmo tempo e tiver um derrame, nem vai perceber.
Todos os dias deve-se comer fibra. Muita, muitíssima fibra. Fibra suficiente para fazer um pulôver.
Você deve fazer entre quatro e seis refeições leves diariamente. E nunca se esqueça de mastigar pelo menos cem vezes cada garfada. Só para comer, serão cerca de cinco horas do dia...
E não esqueça de escovar os dentes depois de comer. Ou seja, você tem que escovar os dentes depois da maçã, da banana, da laranja, das seis refeições e enquanto tiver dentes, passar fio dental, massagear a gengiva, escovar a língua e bochechar com Plax. Melhor, inclusive, ampliar o banheiro e aproveitar para colocar um equipamento de som, porque entre a água, a fibra e os dentes, você vai passar ali várias horas por dia.
Há que se dormir oito horas por noite e trabalhar outras oito por dia, mais as cinco comendo são vinte e uma.
Sobram três, desde que você não pegue trânsito. As estatísticas comprovam que assistimos três horas de TV por dia. Menos você, porque todos os dias você vai caminhar ao menos meia hora (por experiência própria, após quinze minutos dê meia volta e comece a voltar, ou a meia hora vira uma).
E você deve cuidar das amizades, porque são como uma planta: devem ser regadas diariamente, o que me faz pensar em quem vai cuidar delas quando eu estiver viajando.
Deve-se estar bem informado também, lendo dois ou três jornais por dia para comparar as informações.
Ah! E o sexo! Todos os dias, tomando o cuidado de não se cair na rotina. Há que ser criativo, inovador para renovar a sedução. Isso leva tempo - e nem estou falando de sexo tântrico.
Também precisa sobrar tempo para varrer, passar, lavar roupa, pratos e espero que você não tenha um bichinho de estimação. Na minha conta são 29 horas por dia.
A única solução que me ocorre é fazer várias dessas coisas ao mesmo tempo! Por exemplo, tomar banho frio com a boca aberta, assim você toma água e escova os dentes. Chame os amigos junto com os seus pais. Beba o vinho, coma a maçã e a banana junto com a sua mulher... na sua cama.
Ainda bem que somos crescidinhos, senão ainda teria um Danoninho e se sobrarem 5 minutos, uma colherada de leite de magnésio.
Agora tenho que ir.
É o meio do dia, e depois da cerveja, do vinho e da maçã, tenho que ir ao banheiro.
E já que vou, levo um jornal... Tchau!
Viva a vida com bom humor!!!"
Luís Fernando Veríssimo

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Mutantes

Somos as únicas criaturas na face da terra capazes de mudar nossa biologia pelo que pensamos e sentimos!
Nossas células estão constantemente bisbilhotando nossos pensamentos e sendo modificados por eles. Um surto de depressão pode arrasar seu sistema imunológico; apaixonar-se, ao contrário, pode fortificá-lo tremendamente.
A alegria e a realização nos mantém saudáveis e prolongam a vida.
A recordação de uma situação estressante, que não passa de um fio de pensamento, libera o mesmo fluxo de hormônios destrutivos que o estresse.
Suas células estão constantemente processando as experiências e metabolizando-as de acordo com seus pontos de vista pessoais.
Não se pode simplesmente captar dados brutos e carimbá-los com um julgamento.
Você se transforma na interpretação quando a internaliza.
Quem está deprimido por causa da perda de um emprego projeta tristeza por toda parte no corpo – a produção de neurotransmissores por parte do cérebro reduz-se, o nível de hormônios baixa, o ciclo de sono é interrompido, os receptores neuropeptiídicos na superfície externa das células da pele tornam-se distorcidos, as plaquetas sanguíneas ficam mais viscosas e mais propensas a formar grumos e até suas lágrimas contêm traços químicos diferentes das lagrimas de alegria.
Todo este perfil bioquímico será drasticamente alterado quando a pessoa encontra uma nova posição. Isto reforça a grande necessidade de usar nossa consciência para criar os corpos que realmente desejamos.
A ansiedade por causa de um exame acaba passando, assim como a depressão por causa de um emprego perdido.
O processo de envelhecimento, contudo, tem que ser combatido a cada dia.
Shakespeare não estava sendo metafórico quando Próspero disse: “Nós somos feitos da mesma matéria dos sonhos.”
Você quer saber como esta seu corpo hoje?
Lembre-se do que pensou ontem.
Quer saber como estará seu corpo amanhã?
Olhe seus pensamentos hoje!
Ou você abre seu coração...

ou algum cardiologista o fará por você!

Por Deepak Chopra 



terça-feira, 4 de setembro de 2012

O dia que encontrei Julia Roberts

Era uma manhã de domingo, quando resolvi levantar mais cedo que de costume. Fui comprar um jornal. O dia estava ensolarado e isso já movimentava as pessoas nas ruas.
Perto da banca me deparei com uma figura que se destacava de tudo... era como se fosse uma pintura jogada num lago. Meus passos se petrificaram e fiquei observando aquela imagem. Por um momento estaria eu ainda respirando? Não sentia mais...
Não sei quanto tempo durou todo esse transe mas quando finalmente sai dele, caminhei ao meu destino... Senti um leve perfume no ar e quanto mais me aproximava... mais era a certeza de que quem estava ali era a "Linda Mulher", Julia Roberts!
Os cabelos eram ruivos-cor-de-fogo, como se houvessem sido desenhados. Procurei um fio fora do lugar e talvez até o tenha encontrado, mas não queria ver, não era preciso. As roupas não eram extravagantes, porém, de uma certa elegância, conforto e lhe davam um contorno perfeito à silhueta.
O jeito que olhava as revistas era de uma certa apatia, parecia estar matando o tempo... até que num simples gesto se virou e olhou para mim.
Existem momentos na vida que nada precisa ser dito, compreender já basta e aquele olhar era de receptividade. Já o sorriso... foi como se me roubasse totalmente o meu fôlego! Pensei que deveria ser essa a sensação do último sopro de vida. Por um momento morri e nasci novamente.
Voltando à minha nova vida fiquei a contemplar Julia... como era bela!
Não era como nos filmes, onde não se consegue ver as imperfeições. Aliás, que imperfeições? Ela respirava, tinha pelos no braço e rugas... fantástico!
Tentei falar alguma coisa, mas só com olhar ela indicou que queria tomar um café. Entramos naquela padaria e então me dei conta que todos olhavam, olhavam e olhavam para ela. Era como se ela houvesse embriagado todas as pessoas... as mulheres pareciam conviver melhor com a situação, mas mesmo assim estavam extasiadas.
Sentamos e eu pedi dois cafés. Ela não usou adoçante, só duas colheres de açúcar. Ficamos assim, sem dizer nada, saboreando a bebida. Um monte de perguntas vinham em minha mente, como por exemplo: O que ela  fazia ali? E porque estava tão pensativa? Quando seria seu próximo filme? Ou...
Ela terminou o café e fez sinal para que saíssemos. Terminei o meu e paguei, sem não deixar de notar que ela pegou seu torrão de açúcar e o embrulhou num guardanapo.
Saímos e na rua eu já quase me acostumava com todos aqueles olhares que se acercavam de nós... Por um momento, flutuei e curti a sensação de ser amigo ou sei lá o que de Julia Roberts... Eu explodia de alegria internamente, tive vontade de gritar, de dar uma cambalhota ou simplesmente beijá-la... mesmo que fosse no rosto! Mas se fosse outro beijo... nem conseguia imaginar.
Seguimos diante das ruas e notei que as pessoas, por mais que estivessem curiosas ou admiradas não se atreviam a chegar perto. Era como se ela criasse um campo de força, onde as pessoas eram repelidas. Ela via as pessoas, mas não as olhava... parecia distraída, perdida dentro de si mesma.
Nos aproximamos de uma praça e ela pegou levemente minha mão, me guiando para a grama. Eu, já muito acostumado à tudo aquilo ria e suspirava... parecia uma criança ao descobrir o primeiro amor.
Sentamos na grama e na hora lembrei de uma cena do filme: Um lugar chamado Notting Hill - logo no final, onde ela aparece grávida.
Ela se ajeitou e deitou no meu colo... era como se quisesse contar alguma coisa e eu resolvi perguntar, mas fui interrompido outra vez, quando ela colocou a mão em minha boca. Por um momento pensei: Seria Julia muda? - uma farsa ou algo assim? Não importava, agora meus dedos se embaralhavam em seus cabelos. Era como se fosse tudo uma brincadeira, onde ela permitia à experimentação.
Riu por algumas vezes, deixando ir embora aquele ar de perdida... e adormeceu. Fiquei velando seu sono, tentando imaginar o que sonhava ou era eu quem sonhava acordado?
Uma grito ouvido longe me despertou... "Juliaaaa!!" - alguém bradava.
Parecia que nossa história caminhava para um desfecho. Pensei em esconde-la, mas como esconder uma mulher daquele tamanho? Ainda mais dormindo...
A voz se aproximava e tomei coragem e a acordei. Ela abriu os olhos confusa, mas pareceu reconhecer a tal voz.
"Desculpe, preciso ir..." - foi a única frase que disse durante todo esse tempo.
Antes de se levantar, pegou de leve minhas mãos e pôs algo entre elas. Me deu um suave beijo nos lábios e se despediu.
Eu fiquei observando-a sumir na paisagem com uma figura que parecia ser seu empresário, agente ou sei lá o que. Ela ainda olhou para trás... uma única vez.
Me deitei na grama, olhei para o céu e naquele momento parecia que ia chover... Mas o que eu tinha em minhas mãos?

Um torrão de açúcar.